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Rubens Bueno estaria defendendo a tia-bisavó quando bateu em Requião!

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No final do ano 1892 começou o movimento, mais tarde chamado de Revolta da Armada, quando treze oficiais-generais do Exército e Marinha assinaram um manifesto intimando Floriano Peixoto, que assumira a Presidência da República em virtude da renúncia de Deodoro da Fonseca, a convocar novas eleições. Entre os que exigiam eleições estava um tio-bisavô do Roberto Requião de Mello e Silva, que era o vice-almirante Custódio José de Mello, e que junto com Luiz Felipe Saldanha da Gama refletiam o descontentamento da Marinha Brasileira. Esse vice-almirante, parente do governador Requião, tinha um “irmão torto” que morava em Curitiba. Como parente do nosso governador já era adepto ao nepotismo, usando de seu prestígio na República, nomeou o irmão-torto cabo da Policia em nossa cidade. O irmão-torto (Diniz de Mello) do vice-almirante Mello, tio-bisavó do Requião, morava na rua Campos Gerais, hoje rua Vicente Machado, na região da Delegacia do Trabalho.

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Maria Bueno, agora num grande bailado

Depois de chegar ao teatro e à televisão , Maria Bueno na dança! O projeto fascina Carlos Triencheiras, 48 anos, maitre do Ballet Guaíra. Desde que Oracy Gemba, responsável pela encenação da peça “Maria Bueno”, há 13 anos, lhe falou desta personagem curitibana, o coreógrafo português ficou fascinado pela sua densidade dramática e força como tema para um grande bailado de raízes profundamente curitibanas. Triencheiras ficou tão enstusiasmado com a possibilidade de fazer um ballet sobre Maria Bueno que, quando de sua última visita a Lisboa, conseguiu a doação dos figurinos das montagens de “Lôdo” e “Amor de Perdição”, cuja ação se passa no final do século passado, que podem servir, perfeitamente, para a montagem do bailado. Encaixotados, os ricos trajes – orçados em US$ 50 mil – já chegaram a Curitiba, transportados pela Varig. Só que o ballet “Maria Bueno” ainda não existe. Existe o projeto e o entusisasmo de Triencheiras, que aliás, há pelo menos três anos, vem tentando sensibilizar a diretoria do Teatro Guaíra para a sua importância. De raízes paranaenses, ao contrário de “O Romance das Quatro Luas”, com temática nordestina, em que pese a competência de Chico Buarque, Edu Lobo e Ferreira Gullar. xxx São múltiplos os aspectos que fascinam a montagem de um ballet em torno de Maria Bueno. Oracy Gemba, 50 anos, escritor e diretor de teatro desde a década de 60, considera que um dos melhores espetáculos que dirigiu foi justamente “Maria Bueno”, que permaneceu maio de 1974 em cartaz no auditório Salvador de Ferrante. A personagem-título era vivida por Tonica (Antônia Eliana Chagas), excelente atriz e também jornalista, ex-repórter de “O Estado do Paraná”, há 3 anos morando em São Paulo (hoje integra a equipe da revista “Afinal”). Ao lado de Tonica, atuaram em “Maria Bueno”, Elisabeth Destefanis (hoje afastada dos palcos, esposa do publicitário Paulo Vítola, 3 filhos), Lota Moncada (que deixou Curitiba), Sansores França, Luís Schwank (hoje premiado artista plástico), Roaldo dos Anjos (já falecido), Iara Sarmento, Aluísio Querobim, Angela Wogel, entre outros. Seis anos depois, em 1980, quando José Carlos Martinez (hoje deputado federal pelo PMDB, ex-malufista) assumiu a TV-Paraná (juntamente com o “Diário do Paraná”, que fecharia suas portas algum tempo depois), apoiou o projeto de implantar um núcleo local de teleteatro. E, mesmo sem patrocínio, bancou a produção de uma novela sobre Maria Bueno, com roteiro do veterano Paulo Avelar e direção de Roberto Menghini. Rodada quase toda em Morretes – cidade natal, aliás de Maria Bueno – a telenovela exigiu um grande esforço de intérpretes e técnicos. Gilda Elisa, boa atriz (esposa de José Basso, superintendente da Fundação Teatro Guaíra até o próximo dia 15 de março), foi escolhida para viver a personagem título. Sua mãe foi interpretada por Lala Schneider e o anspeçada Dinis, que foi o assassino de Maria Bueno, interpretado pelo ator paulista Nelson Morrison. O cantor Agnaldo Rayol, 49 anos, na época já em declínio profissional, se entusiasmou com a possibilidade de voltar a trabalhar como ator e veio fazer um dos galãs da novela, ao lado de Paulo Cardoso. Outros papéis importantes foram interpretados por Marilyn Miranda, Marli Teresinha, Airton Mueller, Lutero Almeida, irineu Adami, Zefe e Lafayete Queirolo e Alceu Honorio, também diretor de produção. Aliás, Honório enfrentou inúmeros problemas para a produção da telenovela, pois, na época, a TV-Paraná já enfrentava dificuldades técnicas, especialmente de equipamento. A trilha sonora foi criada por heitor Valente e Celso Locker (Pirata), sendo que Heitor inclusive bancou a edição de um compacto duplo, muito bem produzido, com as músicas da telenovela.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Almanaque
Tablóide
2
22/02/1987

A vida de Maria Bueno volta para os palcos curitibanos

Peça conta a história da personagem, uma mulher de personalidade, que povoa o imaginário do curitibano e é até cultuada como santa

Tragédia e comédia se encontram na peça Maria Bueno – A Santa (tipicamente) Curitibana, que estréia hoje, abrindo a temporada de 2007 do teatro Novelas Curitibanas. Uma pesquisa de César Almeida, que também assina a direção, deu início a criação da montagem, que trata da vida da controversa mulher, considerada santa por parte da população curitibana e que, como a maioria de suas contemporâneas, acabou sendo submentida aos caprichos dos senhorios. A história mostra uma mulher habituada a lutar pelo direito de comandar o próprio destino.

Só que nesta história, já se sabe, o final não é exatamente feliz. Maria Bueno foi vítima de um brutal crime passional e transformou-se em exemplo de coragem por não se conformar com sua triste sina de ser submissa. Seu túmulo, virou local de romaria que recebe agradecimentos deixados pelos que dizem ter alcançado graças por seu intermédio. Ela virou uma lenda da cidade, cultuada por pessoas sem distinção de credo ou condição social.

O diretor da montagem explica que o espetáculo traz uma preocupação do resgate histórico-sociológico de Curitiba e para ter material em mãos, já que a história ainda não está em livros, ele se valeu de fontes jornalísticas e relatos de populares, que se dizem agraciados pelas bênçãos de Maria Bueno. Também serviram de referência as montagens como Grato Maria Bueno, de Oraci Gemba (década de 1970), do falecido diretor Raul Cruz (década de 1980), e, na década de 1990, a montagem de Wellington Silva.

Esta será a terceira vez que Almeida analisa a questão da fé na atualidade. Primeiro foi Estrada do Pecado (2004), que mostrava a incoerência da fé cega no submundo da prostituição contemporânea. Depois veio São Sebastião (2005),  com o foco no preconceito da igreja católica com a questão homossexual versus a palavra de Cristo. Agora, Maria Bueno, ao resgatar a biografia da feminista histórica, ele se propõe a discutir a problemática feminina diante dos mitos da pureza e da honra em confronto com a hipocrisia das convenções sociais.

Na produção, está a companhia Rainha de 2 Cabeças Teatro e Dança, que há mais de vinte anos trabalho no resgate da cultura paranaense. A peça tem cenários de Geraldo Kleina, figurinos do estilista Alex Sandro e no elenco estão os atores Kassandra Speltri, Ludmila Nascarella, Caike Luna, Mateus Zucolotto e Carlos Vilas Boas.

A montagem foi um dos quatro trabalhos selecionados pelo edital do Programa de Fomento para o Teatro Novelas Curitibanas – Temporada 2007, que dividirão o apoio financeiro de R$200 mil oriundo do Fundo Municipal de Cultura. Até o mês de dezembro, o palco do Teatro Novelas Curitibanas abrigará ainda as peças Sobre Tempos Fechados, de Marcos Damaceno (Dama Produções Artísticas); O Amor, seja como for, de Fátima Ortiz (Pé no Palco Atividades Artísticas); e O Banho, de Fabiana Resende (Resende e Ribas Ltda).

Serviço
Maria Bueno – A Santa (tipicamente) Curitibana. De 17 de janeiro a 11 de fevereiro de 2007;  de quarta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 20h.  Ingresso: uma lata de leite em pó. Teatro Novelas Curitibanas (R. Carlos Cavalcanti,1.222)

Homenagem à Maria Bueno, a “santa do povo”, fechou desfiles

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O estilista Silmar Alves fechou a 2ª edição do Paraná Business Collection, na sexta-feira, com uma emocionada homenagem à Maria Bueno, a prostituta assassinada pelo amante em 1893 e que se transformou em uma espécie de “santa do povo”, muito embora não tenha sido canonizada.

Com 13 anos de profissão e um nome consolidado no cenário da moda paranaense, Alves, que é professor no curso técnico de moda do Senai e no da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), já homenageou vários símbolos e personagens do estado, como Paulo Leminski e Dalton Trevisan.

O estilista conta que se emocionou várias vezes nas madrugadas em que se debruçou sobre a coleção, toda em tons de areia e vermelho vivo. A flor é um elemento simbólico de Maria Bueno.

Segundo a crença popular, teriam nascido rosas no local onde ela foi assassinada, na Rua Vicente Machado. O estilista escolheu o algodão e sobras de tecidos texturizados para o belo desfile de 28 looks, com cenário de rosas vermelhas. Mais uma vez, primou pelo trabalho artesanal – com aplicações de flores de crochê, bordados em canotilho e linha de algodão – e a alfaiataria – presentes em corselets e vestidos. A figura de Maria Bueno aparece como complemento estampando algumas peças. O cabelo das modelos seguiu o estilo chanel parecido com o que ela usava.

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=793364&tit=Homenagem-a-Maria-Bueno-a-santa-do-povo-fechou-desfiles