A vida de Maria Bueno volta para os palcos curitibanos

Peça conta a história da personagem, uma mulher de personalidade, que povoa o imaginário do curitibano e é até cultuada como santa

Tragédia e comédia se encontram na peça Maria Bueno – A Santa (tipicamente) Curitibana, que estréia hoje, abrindo a temporada de 2007 do teatro Novelas Curitibanas. Uma pesquisa de César Almeida, que também assina a direção, deu início a criação da montagem, que trata da vida da controversa mulher, considerada santa por parte da população curitibana e que, como a maioria de suas contemporâneas, acabou sendo submentida aos caprichos dos senhorios. A história mostra uma mulher habituada a lutar pelo direito de comandar o próprio destino.

Só que nesta história, já se sabe, o final não é exatamente feliz. Maria Bueno foi vítima de um brutal crime passional e transformou-se em exemplo de coragem por não se conformar com sua triste sina de ser submissa. Seu túmulo, virou local de romaria que recebe agradecimentos deixados pelos que dizem ter alcançado graças por seu intermédio. Ela virou uma lenda da cidade, cultuada por pessoas sem distinção de credo ou condição social.

O diretor da montagem explica que o espetáculo traz uma preocupação do resgate histórico-sociológico de Curitiba e para ter material em mãos, já que a história ainda não está em livros, ele se valeu de fontes jornalísticas e relatos de populares, que se dizem agraciados pelas bênçãos de Maria Bueno. Também serviram de referência as montagens como Grato Maria Bueno, de Oraci Gemba (década de 1970), do falecido diretor Raul Cruz (década de 1980), e, na década de 1990, a montagem de Wellington Silva.

Esta será a terceira vez que Almeida analisa a questão da fé na atualidade. Primeiro foi Estrada do Pecado (2004), que mostrava a incoerência da fé cega no submundo da prostituição contemporânea. Depois veio São Sebastião (2005),  com o foco no preconceito da igreja católica com a questão homossexual versus a palavra de Cristo. Agora, Maria Bueno, ao resgatar a biografia da feminista histórica, ele se propõe a discutir a problemática feminina diante dos mitos da pureza e da honra em confronto com a hipocrisia das convenções sociais.

Na produção, está a companhia Rainha de 2 Cabeças Teatro e Dança, que há mais de vinte anos trabalho no resgate da cultura paranaense. A peça tem cenários de Geraldo Kleina, figurinos do estilista Alex Sandro e no elenco estão os atores Kassandra Speltri, Ludmila Nascarella, Caike Luna, Mateus Zucolotto e Carlos Vilas Boas.

A montagem foi um dos quatro trabalhos selecionados pelo edital do Programa de Fomento para o Teatro Novelas Curitibanas – Temporada 2007, que dividirão o apoio financeiro de R$200 mil oriundo do Fundo Municipal de Cultura. Até o mês de dezembro, o palco do Teatro Novelas Curitibanas abrigará ainda as peças Sobre Tempos Fechados, de Marcos Damaceno (Dama Produções Artísticas); O Amor, seja como for, de Fátima Ortiz (Pé no Palco Atividades Artísticas); e O Banho, de Fabiana Resende (Resende e Ribas Ltda).

Serviço
Maria Bueno – A Santa (tipicamente) Curitibana. De 17 de janeiro a 11 de fevereiro de 2007;  de quarta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 20h.  Ingresso: uma lata de leite em pó. Teatro Novelas Curitibanas (R. Carlos Cavalcanti,1.222)

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